Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Airstrike Magazine


É raro uma revista com qualidade estar disponível on-line para quem quiser descarregar. Aqui fica um bom exemplo.


Domingo, Novembro 08, 2009

O MIRAGE F1


Sou um indefectível apreciador dos aviões de asa alta. E essa predilecção é extensiva aos grandes aviões, como o C-5 Galaxy, ou An-124 e outros...
Mas, de entre os caças, o Mirage F1 surge como um dos que mais aprecio, juntamente com o Jaguar.
Felizmente, já por diversas vezes tive oportunidade de os ver, seja em exposição, seja em manobras e voo acrobático, com destaque para a famosa parelha Francesa, o que operou durante algum tempo, em moldes em que, por exemplo, os nossos "Asas de Portugal" o fazem actualmente.
Curiosamente, o Mirage F1 destoa da tradição da asa delta de cuja família Dassault é oriundo.
Poderia ser até considerado uma espécie de "patinho feio" da família mas não é.


Este caça-bombardeiro francês, cujo primeiro voo ocorreu em finais de 1966 está equipado com o motor SNECMA Atar 9K-50 e atinge Mach 2.2 e pode carregar armamento até um limite de 4 toneladas. O seu raio de acção é algo reduzido, (pouco mais de 2100 km...) mas em compensação, pode voar/atingir mais de 60 mil pés de altitude de voo, rivalizando assim com alguns caças do leste europeu e outros mais "avançados" do ocidente.


Um dado por mim considerado muito curioso, ressalta da primeira vez que o vi e ouvi em acção, num festival aéreo da FAP, cujo ano, penitencio-me, não consigo precisar. O ruído de algumas evoluções e regimes do motor, faz lembra o (agora saudoso) TF-30 P408 do nosso Corsair II, o que, para um A-7ólico, é uma espécie de "maná sonoro!"...


Dele, retenho também a sua imagem agressiva que, em certos ângulos, tem o seu quê de design do Leste e que as fotos atestarão.
O Mirage F1 voou ou voa ainda em diversos países, (para além da França) como Espanha, Grécia, Equador, Qatar, África do Sul, Marrocos ou Líbia.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

UMA VARANDA PARA OS AVIÕES


Vista Geral de LPMA - Aeroporto Internacional da Madeira - Imagem daqui

Razões familiares e profissionais "atiraram" comigo para a Madeira.
A "cousa da aviação militar" por aqui é diminuta. Vive de uns quantos e esporádicos (agora) C-295M, o EH-101 Merlin e o C-130 ainda mais pontualmente.
O bom apreciador de aviões, apesar disso, sobrevive à ausência, pois as raízes do gosto pela aviação são fundas e não se deixam abater.
Felizmente, a casa que agora habito, dista uns escassos 8 ou 9 km do Aeroporto Internacional da Madeira, com vista alargada de Leste a Oeste.
Aproximação final à pista 05 - Foto: Rui Sousa

Todas as aproximações feitas à pista 05 (do lado de Santa Cruz - a operada na maioria dos dias, dada a predominância dos ventos a isso obrigar) podem ser vistas da varanda cá de casa, sobretudo a majestosa volta que os aviões fazem sobre o mar, já relativamente baixos e configurados.
O piloto tenta alinhar o avião com a pista 05 - Foto: Rui Sousa

Mesmo sendo aviões civis, não deixa de ser muitíssimo interessante ver os intrépidos aparelhos como que pendurados sobre o oceano, resistindo aos ventos, curvando sobre as águas e alinhando-se com a pista, lateralmente a encostas abruptas, povoadas de casas. Aliás, a dimensão dos aparelhos ainda torna essa sensação de precariedade mais notável. Ver um A-330 a fazer a curva, é algo de muito bonito...
Quando a pista a operar é a 23 (lado da cidade de Machico - parte da pista assente na mega estrutura de betão), vejo os aviões a subir e a virar, predominantemente rumo a Nordeste, com os motores a troar potência de subida...
Independentemente da ausência dos F-16 e companhia, os "estragos" estão minimizados e, apesar dessa diferença, um avião é sempre um avião, tenha a forma, o ruído ou a cor que tiver.
Gosta-se e pronto!
Aproximação final e aterragem nocturna na pista 05 - Foto: Rui Sousa

Agradecimento especial ao Rui Sousa pelas fotos cedidas e especial referência à beleza da foto nocturna!

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

MODELISMO EM MACEDA 2009











Decorreu durante o passado fim-de-semana mais um concurso/exposição de modelismo em Maceda, onde os modelistas nacionais e internacionais puderam apresentar algumas das suas melhores criações.
Desde monumentos em cartão, passando por navios em madeira, figuras da BD, modelos de series de ficção científica, submarinos, porta-aviões, tanques de guerra e como quase sempre, especial incidência na aviação.
Alguns excelentes exemplares puderam ser vistos por quem passou pela Junta de Freguesia de Maceda, local que albergou o evento. Cuidadosamente detalhados, envelhecidos, alterados para representar um modelo em particular, ou simplesmente exóticos. Um mundo à escala, paralelo ao real, eternizando momentos históricos ou simplesmente imaginados como foram, ou podiam ser.

Este ano contou ainda com o aliciante da visita à secção museológica do Aeródromo de Manobra nº1 – que fica a poucos quilómetros do local da exposição – promovida pela organização da exposição e contando com a gentileza da Força Aérea, que permitiu certamente tirar muitas dúvidas aos modelistas acerca deste ou aquele pormenor que as fotos disponíveis não permitiam dissipar; para buscar inspiração para novos modelos, ou simplesmente fazer um “walkaround” despreocupado, só pelo gosto de ver, tocar, ou até sentar-se dentro de uma dessas maravilhosas máquinas voadoras que marcaram épocas ao serviço da FAP.

Curiosamente os modelos nacionais este ano não estiveram particularmente em evidência na exposição, salvo honrosas excepções, não representativas do muito que se fez e faz por cá, numa altura em que até existem no mercado muitos mais modelos e decalques que há alguns anos atrás.

Nesse aspecto, é de louvar o esforço de algumas marcas que têm lançado decalques de muitas aeronaves históricas portuguesas, permitindo suprir uma lacuna muitas vezes difícil de contornar com qualidade.

É igualmente digna de registo a quantidade de kits, decalques e acessórios disponíveis na loja BigCat (patrocinadora do certame), quando muitas fecham, remetendo os modelistas para compras à distância.

Quem venceu o V Concurso de modelismo de Maceda, será porventura o menos importante de um fim-de-semana bem passado e como sempre para o ano espera-se mais e melhor.

No modelismo o único limite é a imaginação. É disso que vive o seu brilho.


Fotos da visita ao AM1:

Fiat G-91R3 s/n 5452


Cessna T-37C s/n 2427 e CASA C-212 Aviocar s/n 16503


Cessna FTB-337G s/n 13710


Northrop T-38A Talon s/n 2608 e Dornier Alpha Jet s/n 15246


Sudaviation - SE 3160 Alouette III s/n 19368 (heli de alerta busca e salvamento - activo)



Sexta-feira, Outubro 30, 2009

O MOMENTO "F*#@-SE!"




Todos os que dão ao gatilho na caça desses pássaros de metal barulhentos e fugidios que cruzam os céus, já tiveram o chamado momento “f*#-se!”.
É aquele momento em que um pinheiro consegue atravessar a pista quando íamos tirar a “foto perfeita”.
Já me aconteceu ter uma andorinha a tapar a perspectiva durante o 1/1000 seg que o obturador da máquina esteve aberto.
Enfim, fotógrafos de aviação do mundo uni-vos na dor, pois não estais sozinhos. Pensemos nisto.

Domingo, Outubro 25, 2009

MINGOS & OS SAMURAIS


"Crepúsculo"


"Canopy glow"


"Beating around the bush"


"Manhã de nevoeiro"



"Gémeos siameses"


"Dias de tempestade"


"Modelo à escala"


"Mirror, mirror"





Já dizia Carlos Tê, famoso letrista de Rui Veloso, no álbum deste último datado de 1990 intitulado Mingos & Os Samurais, que o mundo está ofuscado com histórias de triunfo e sucesso. Quando grande parte das nossas vidas se faz de insucessos e de momentos banais.


Mingos & Os Samurais é um álbum conceptual que ao longo de 22 temas conta a história de uma banda "que se arrastou sem glória, mas com alegria e sedução, por diversos palcos durante os primórdios dos anos 70"


As fotos que aqui apresento hoje, à semelhança da foto vencedora pertencem à colecção que submeti ao concurso "Spotting Flash", mas ao contrário dessa já aqui publicada anteriormente e afixada para a posteridade no museu da Base Aérea nº5, não conheceram as luzes da ribalta.
Não é por esse facto que menos gosto delas, pelo que para lhes fazer justiça, qual pai zeloso de todos os seus filhos, aqui lhes concedo os 15 minutos de fama que (também) creio merecerem.


Como os Mingos & Os Samurais também sem glória, mas decididamente com alegria e porventura sedução.


Quinta-feira, Outubro 22, 2009

NEED FOR SPEED



O Pássaro de Ferro congratula-se por um dos seus colaboradores - o fotógrafo "oficial " e "sub-comandante" Paulo Mata - ter ganho o 1º prémio do concurso “Spotting Flash”, patrocinado pela Base Aérea nº5 - Monte Real, no âmbito das comemorações do cinquentenário da mesma unidade. As fotos vencedoras deste concurso bem como do concurso “Momentos” que decorreu paralelamente, ficarão doravante expostas no museu da base.

Aproveitamos para felicitar, também, os restantes vencedores e demais concorrentes, cada um com o seu modo particular de ver e registar um mesmo tema comum.

Uma felicitação especial para o Miguel Garrana, autor da pintura comemorativa, bem como para a organização de todos os eventos que proporcionaram esse instante aqui apenso, assim como tantos outros momentos não menos dignos de registo.



Segunda-feira, Outubro 19, 2009

100 ANOS DE AVIAÇÃO EM PORTUGAL



Está cumprido um século desde o primeiro voo em Portugal.
Está a cumprir-se o ancestral sonho de voar. Todos os dias.
Nestes tantos dias que têm 100 anos, tanta coisa mudou. No Mundo e nos aviões.
Chegou-se à Lua, ligam-se continentes, "anulam-se" os mares, conquistam-se os ares.
Entre o conforto, a velocidade e a necessidade de partir e chegar, o céu tornou-se estrada e caminho e nele, diariamente, milhões de pessoas (civis, militares) alcançam as suas metas, cumprem os seus sonhos ou simplesmente, trabalham. A bordo dos novos Pássaros de Ferro, hoje robustos, muito mais seguros sem serem perfeitos, mas sempre os pássaros de ferro.
Foi por olhar as aves, os "pássaros" que o sonho de voar se quis cumprir.
Fez-se caminho. Faz-se caminho.
Pelo céu e voando!

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

O CONAN E O VULCAN


Conan o rapaz do futuro


Avro Vulcan (crédito: Russell Collins)


Giganto de "Conan o rapaz do futuro"


Frente do Handley Page Victor (Crédito: Nathan Daws)


Frente do Giganto de "Conan o rapaz do futuro"

Em primeiro lugar, interessará esclarecer devidamente quem é o Conan e quem é o Vulcan. Conan não é o homem-rã da música dos Enapá 2000, nem tampouco o personagem interpretado pelo agora governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. É nem mais nem menos que um boneco de desenhos animados que me fez sonhar (como a muitos que éramos garotos na década de 80) com aventuras que se passavam num mundo pós-apocalíptico (tema bastante recorrente em filmes, livros e séries nessa década, dado o espectro da guerra nuclear ser um tema quase do dia-a-dia) e das quais Conan, um miúdo filho de alguns sobreviventes de uma guerra nuclear era inevitavelmente o protagonista.

O Vulcan, bom o Vulcan não foi ninguém de carne e osso, nem de celulóide como o Conan. À parte de ter sido o deus do fogo na antiga mitologia romana, foi um bombardeiro britânico, um dos três pertencentes à chamada “série V” (conjuntamente com Victor e Valiant).
E qual a relação entre o Conan e o Vulcan? À semelhança de muitas séries de ficção, a realidade contemporânea terá servido de fonte de inspiração para ilustrar uma realidade imaginária e as semelhanças entre o bombardeiro do Conan e o Vulcan (na verdade talvez uma mistura entre o Vulcan e o cockpit do Victor, bastante mais sinistro) parece ser mais do que mera coincidência.



Capa da série em DVD

Como nota de rodapé resta-me acrescentar que para quem viu (ou até para quem não viu) a série há vinte e tal anos atrás, se tiverem oportunidade de revê-la em DVD, o façam. A qualidade lendária dos desenhos animados japoneses (pré Dragon Ball - os fãs deste que me desculpem) aliada a uma história consistente e muitas vezes divertida, garante algumas horas bem passadas, aliadas às memórias que inevitavelmente nos assaltam e que valem a pena reviver.
Os bombardeiros da série V, nunca tiveram grande utilidade prática, a não ser como reabastecedores. E felizmente como plataforma de lançamento de armas nucleares, apenas no mundo imaginário de “Conan, o rapaz do futuro”.


Domingo, Outubro 11, 2009

O 8 DE OUTUBRO E O A-7P 5523

Descolagem do 5523 - Foto: (c) B. Thouannel

O gosto pelos aviões contempla vários "simbolismos", ligados a datas, a determinado evento, a um avião em particular, etc.
Cabe-nos a nós, apaixonados pela causa do ar, fazer a triagem desses momentos e partilhá-los, neste caso, com quem nos lê e vê.
Rezam as crónicas da história do A-7P em Portugal e da Esquadra 304 - Magníficos, que a 8 de Outubro de 1984 - dia da esquadra, chegou o primeiro dos seus A-7P, no caso o s/n 5523. Há um quarto de século... A esquadra havia sido reactivada dias antes, a 4 de Outubro, no dia de aniversário da BA5.
Este avião viria a ser um símbolo da esquadra, (chegou a ostentar a simbologia da 304, como se vê pelas fotos) por ter sido o primeiro, como já se aludiu, a ser operado pelos Magníficos.

5523 em Inglaterra - Foto: Tiger by the Tail Collection

Infelizmente, viria a ser perdido em acidente na BA6, em 29 de Abril de 1992. O 5523 voou apenas 527 horas em Portugal (trazia 3884 voadas ao serviço dos EUA).
Lembro-me que este avião, talvez pelas poucas horas que voou, não foi muito fotografado. Uma das fotos mais impressivas que dele guardo, foi obtida em Inglaterra, debaixo do tradicional céu cinzento britânico e devidamente envolto no clima de "guerra fria" que então se respirava. Vi essa foto, pela primeira vez, no livro dos "Aviões da Cruz Cristo" e recordo como essa simples foto suscitou em mim uma reacção tão feérica, que ainda hoje recordo com pormenor milimétrico.

Nota: As fotos que se apresentam, foram gentilmente cedidas por esse grande cultor do A-7P, o Francisco Brito Alves, a quem o Pássaro de Ferro agradece, uma vez mais, penhorado!


Segunda-feira, Outubro 05, 2009

PATRULLA ÁGUILA














A Patrulha Águila, representante da Força Aérea Espanhola (ou Ejército del Aire como é designada localmente) não é de todo uma patrulha acrobática desconhecida em Portugal, dadas as ocasiões que já teve oportunidade de se monstrar no nosso país, conforme anteriormente referido.

Nascida em 1985 com apenas 5 aviões, esse número seria posteriormente aumentado para 6 e finalmente para os 7 com que realizam actualmente os 25 minutos de exibição.

Incluindo formações e manobras exclusivas, o espectáculo é normalmente composto por três partes distintas, nas quais evoluem primeiro em formação, depois em exibições solo e par e finalmente em formação de novo, para as passagens finais.

No passado dia 20 de Setembro quem foi a Évora ao PAS2009 teve oportunidade de conferir a mestria e rigor com que desenham nos céus a sequência de manobras que compõem o seu repertório.

Ficam aqui algumas das imagens então recolhidas e um “voltem sempre”

¡Hasta la vista!


Site da patrulha: www.patrullaaguila.com




Quarta-feira, Setembro 30, 2009

SALA DE OPERAÇÕES DO PÁSSARO DE FERRO


O "Pássaro de Ferro - Operations" vai abrir a partir das 00:01h de 1 de Outubro.
Trata-se de uma nova área do Pássaro de Ferro original, dedicada a "Operações" que efectuámos (eu e o Paulo Mata) desde 1997, altura em que iniciámos o trabalho sobre a operação do A-7P na FAP.
Depois desse trabalho, publicado na revista "Mais Alto", executámos a "operação" dos "10 anos de F-16 em Portugal", trabalho que agora passa a estar disponível no "Pássaro de Ferro - Operations", depois de ter sido publicado, uma vez mais, na "Mais Alto"e na "Avion Revue",
Futuramente, serão dadas a conhecer outras "operações" que já realizámos; outras em fase de execução e, finalmente, outras em preparação que, pela sua extensão e complexidade, não se enquadram no "espírito mais sucinto" do Pássaro de Ferro e sendo, ao mesmo tempo, o corolário do crescimento alcançado que, já o afirmámos, sendo gratificante é, também, factor de responsabilização para fazer mais e melhor.

Contamos com as vossas visitas e comentários, que desde já agradecemos!

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

O GRANDE ARTISTA
























António Ideias foi o representante nacional no campeonato mundial de acrobacia, facto que aplaudimos como aplaudimos o Pedro Lamy quando se estreou na Formula 1.

A forma despreocupada (quase indiferente) com que descreve (em tempo real) as manobras que executa, faz parecer a arte de desenhar os céus com piruetas e malabarismos (outro modo de dizer tounneaux e loopings) quase natural e desprovida de dificuldade. Nada mais errado.
É contudo nessa naturalidade que se observa nos fora-de-série, que se distingue o génio de quem executa a sua arte como quem respira. E faz parecer fácil o que é difícil.

Recorrendo à sub-cultura futebolística que há uns anos apelidou um conhecido jogador pelos seus dotes artísticos com a bola nos pés, quem já teve o privilégio de ver uma exibição do António Ideias, diz sem qualquer tipo de favor que também ele é “Um Grande Artista”.

As fotos não serão porventura o melhor meio de registar a arte da acrobacia aérea, pecando de mal incontornável. Esperamos no entanto que façam minimamente justiça ao que se retrata aqui hoje.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

PORTUGAL AIR SHOW 2009

























No passado fim-de-semana, o aeródromo de Évora foi palco de mais uma edição do Portugal Air Show, facto sobejamente sabido por toda a comunidade de aficionados da aviação, dentro e além fronteiras.

Como atracções este ano aguardavam-se raridades como o Sea Fury, um P-51 Mustang e um Antonov An-2. O programa integrava ainda demonstrações de Lynx da Marinha, da esquadrilha acrobática espanhola “Patrulla Aguila” em C-101 Mirlo, dos “Rotores de Portugal” em Alouette III, dos “Smokewings” em Yak-52 e a exibição solo de António Ideias no seu Extra 300. Para apimentar o programa, passagens de F-16 da Força Aérea Portuguesa.

Motivos por isso mais do que suficientes para levar connaiseurs e plebeus a deslocarem-se algumas centenas de quilómetros se necessário, para marcar presença.

Algumas contrariedades no entanto levariam a empobrecer o espectáculo, tendo à última da hora sido canceladas as presenças do P-51 Mustang e Antonov An-2, estrelas maiores do certame.

Do programa reservado para domingo, as actuações realmente realizadas estiveram no entanto em bom plano, com especial destaque para a “Patrulla Aguila”, que embora não sendo novidade no nosso país, arrancaria uma demonstração irrepreensível, incluindo as manobras exclusivas pelas quais é conhecida.

Igualmente entusiasmante a exibição de António Ideias, que não deixa nunca ninguém indiferente, para além do Hawker Sea Fury, único sobrevivente dos clássicos previstos para a edição deste ano do Portugal Air Show.

Um Piper Cub e um quase incontável número de voos em aeronaves civis povoariam os céus de Évora durante todos os tempos mortos, proporcionando voos aos visitantes que se candidataram.

O espaço destinado a expositores albergou um sem-número de stands, rodeando as aeronaves em exposição estática, e incluíu os três ramos das forças armadas, associações de profissionais, entusiastas, empresas de tecnologia, transporte, merchandising, brinquedos e o que mais se pudesse imaginar, sinal de que o sector continua atento às oportunidades de se mostrar. De salientar a presença de um expositor da Unidade de Aviação do Exército, cujos helicópteros têm (finalmente) data de entrega prevista para 2012.

O Portugal Air Show regressará em 2011, espera-se que com melhorias a nível de organização, nomeadamente no que respeita à visão para a pista (se as bancadas são de saudar, o exíguo espaço entre as traseiras dos stands e a vedação de pista estrangulou o acesso do público), bem como o site do evento, alvo de queixas de muitos internautas que em busca de informação, se deparariam com um bug que impossibilitou o seu visionamento quando mais necessário, aliado a uma tardia definição do programa.

O Portugal Air Show está encerrado por este ano, ficando para a posteridade as fotos que registam alguns dos momentos altos da edição de 2009.



Sábado, Setembro 19, 2009

O PORTUGAL AIR SHOW

Foto: A-330 da Air Luxor - (c) A. Luís

Foto: (c) Spitfire no PAS-2003 - (c) Alexandre Vieira - Olhares.com

Na história deste evento, apenas duas vezes marquei presença em Évora. Em 2003, de que retenho a exibição do Spitfire e 2005, em que me marcou ver a exibição de performance do A-330 da Air Luxor, já que pela primeira vez assisti à demonstração de um aparelho que é suposto vermos ou estacionado nos aeroportos, ou a 35 mil pés de altitude, ligando continentes.
Para além da paixão pelos aviões, uma estranha atracção pela terra alentejana transformou a ida a Évora um espécie de ritual mágico. Para além das fotos aos aviões, o caminho para lá de Santarém torna-se fotogénico a todo o instante. Paramos e captamos imagens. Até um certo silêncio plano se torna companheiro apetecido.
Não vos consigo explicar a estranha e arrepiante união que se dá no meu espírito quando junto o Alentejo com os aviões.
Não será difícil tentar adivinhar o que sentirão os pilotos, dentro das suas máquinas, quando sobrevoam a planície alentejana, o seu alvo casario, as águas do Alqueva, os barrancos, a solidão dos sobreiros e das azinheiras...
Em 2007 e este ano, motivos pessoais arredaram-me do Portugal Air Show. Tenho muita pena...
Espero, por isso, com alguma ansiedade, a reportagem do Paulo Mata (repórter do Pássaro de Ferro no Portugal Air Show), bem como impressões e fotos de outros aficionados que aqui as queiram deixar ou nos seus respectivos espaços de autor ou divulgação.

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

AS CORRIDAS AÉREAS E A NAÇÃO

















Só nos tempos mais actuais começaram a aparecer shows aéreos sem serem patrocinados pelo Estado ou pela Força Aérea. De igual modo as patrulhas acrobáticas ou solo displays, apesar de serem tradição em muitos países, em Portugal estiveram quase sempre reservados também a elementos das Forças Armadas e pelas Forças Armadas. Talvez porque a evolução da aviação se deu num período da história em que o dinheiro não abundava e os desportos caros não eram possíveis sem o patrocínio da Nação, ou entidades com envergadura suficiente para suportar os gastos inerentes, bem como toda a logística associada.
As corridas aéreas, largamente popularizadas nos EUA desde as décadas de 20 e 30 do século pretérito, eram por isso praticamente desconhecidas no nosso país. Foi só já no século XXI que este tipo de tradição conheceu um boom, com o aparecimento de alguns certames aeronáuticos, corridas aéreas e patrulhas acrobáticas ou pilotos solo, particulares.
Com uma adesão extraordinária por parte do público desde a sua primeira edição, a Red Bull Air Race é porventura o evento aeronáutico mais mediático realizado no nosso país. O passado fim de semana levou ao Porto e a Gaia a 3ª edição da popular corrida patrocinada pela bebida que alegadamente dá asas mesmo a quem não as tem.
Iniciado o espectáculo, a patrulha particular "sponsorizada" pela marca de relógios Breitling, evoluiu sobre o vale do Douro com brilhantismo e exactidão semelhantes à da reconhecida marca suíça de que ostenta o nome.
Considerada a “Fórmula 1 dos céus”, a corrida propriamente dita, entusiasmou novos e velhos (ao meu lado esteve uma senhora que arrisco dizer teria seguramente noventa anos), gordos e magros, homens e mulheres. De olhos ou objectivas fixas nos ares, foram registando na memória (mental ou digital) os melhores momentos proporcionados pelo certame. Empoleiraram-se em cima do que havia para melhorar o campo de visão, fizeram também eles acrobacias dignas de registo.
A presença de aeronaves das Forças Armadas (F-16, Alpha Jet, Chipmunk) e algumas das suas patrulhas acrobáticas ou exibições solo (Lynx, Alouette III – “Rotores de Portugal”) secundaram o evento principal, além de preencherem tempos mortos no espectáculo, ajudando a abrilhantar o dia e piscando o olho àqueles que queiram fazer de voar o seu modo de vida.
A Red Bull Air Race, conseguiu sem dúvida dar uma visibilidade sem precedentes à aeronáutica e à aviação em geral, que andava porventura esquecida, por entre falta de dinheiro nas instituições, falta de patrocínios, falta de entusiastas, falta de vocações, falta de políticas adequadas e coerentes com os interesses e necessidades do país. As Forças Armadas com certeza agradecem o estímulo que certamente teve nos mais novos e no despertar de novos talentos um tal evento. O país também.
Reflexões à parte, a Red Bull Air Race é um grande espectáculo e estão de parabéns todos os que proporcionaram mais uma vez a sua realização no nosso país.
Para a história fica ainda o nome do vencedor de 2009: Paul Bonhomme.

Terça-feira, Setembro 15, 2009

RED BULL AIR RACE 2009

















Amanhã a segunda parte.

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

ROTORES DE PORTUGAL ENCERRAM O RBAR 2009 - PORTO


"Rotores de Portugal" - Foto: Jorge Ruivo


A Patrulha Acrobática da Força Aérea Portuguesa, Rotores de Portugal, terá a honra, no próximo dia 13 de Setembro, por volta da 16.40 horas de encerrar a edição do Porto, da competição aérea sobejamente conhecida, Red Bull Air Race.

Numa demonstração preparada especificamente para a ocasião, a exibição dos Rotores de Portugal será um momento alto, nesta tarde de Domingo, graças à sincronia, à dificuldade e à beleza das figuras apresentadas sobre o rio Douro.

Para além da Patrulha Acrobática, estará também presente o Centro de Recrutamento da Força Aérea bem como um helicóptero Alouette III em exposição estática.

Os muitos espectadores, que esta competição atrai, poderão ainda assistir às passagens de aeronaves da Força Aérea, nomeadamente de CHIPMUNK, de ALPHA-JET e de F16.

Press Release da FAP 55/09

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER


Embraer EMB-314 Super Tucano (ou AT-29)


Linha da frente dos AT-29 Super Tucano


Embraer EMB-120 Brasília


Embraer EMB-145 (ou R-99)


Helibras H-50 Esquilo


Embraer AT-26 Xavante

Como o verdadeiro entusiasta da causa aeronáutica raramente é capaz de ter presença de espírito suficiente para distinguir férias de uma actividade aeronáutica, o descanso programado para o verão de 2009 tinha que contemplar um qualquer destino relacionado com aviões (para além dos da viagem, mas autocarros com asas já se sabe que não contam).


Ora Natal, capital do Rio Grande do Norte no Brasil, permitia contentar gregos e troianos (entenda-se repórter e namorada), com belas praias e paisagens luxuriantes e ao mesmo tempo garantir actividade aérea proporcionada pela Base Aérea de Natal.

Logo na noite de chegada, ao taxiar no aeroporto (a BANT é comum com o aeroporto civil) o Airbus A310 onde viajava proporcionou uma vista sobre a linha da frente dos aviões militares, permitindo reconhecer facilmente os abrigos vistos recentemente em fotos do exercício multinacional “Cruzex”, ali realizado bianualmente. Não deu para mais do que isso dado ser noite cerrada e qualquer tentativa de foto sair ferida de insucesso à nascença por todas as condicionantes (avião em movimento, pouca luz, lente com pouca amplitude focal, objectos longe).

Seria apenas dois dias mais tarde que voltaria a ver os aviões que operam a partir da BANT, quando num passeio de buggy no cimo de uma das famosas dunas móveis do nordeste brasileiro pude ver passar uma parelha de AT-29 Super Tucano seguida de outra de AT-26 Xavante. Foi o suficiente para causar desassossego e ajudar a definir o verdadeiro objectivo das férias: o Pássaro de Ferro tinha que fazer uma reportagem na Base Aérea de Natal.


Com o objectivo aclarado foram efectuados os necessários contactos para que tal viesse a acontecer.

Fomos por isso muito bem recebidos na base sede do 1ºEsq/4º GAv (Pacau) que opera o AT-26 Xavante, o 2ºEsq/5º GAv (Joker) com o AT-29 Super Tucano e o 1ºEsq/11º GAv (Gavião) que opera os helicópteros UH-50 Esquilo. Houve ainda oportunidade para ver descolar um R-99 (EMB-145) e um EMB-120 Brasília, o primeiro muito difícil de conseguir ver na Europa (apenas a Grécia opera o aparelho).


É por isso que no fim das férias apeteceu dizer “Natal é quando um homem quiser”. Mesmo que seja no pico do Verão (OK, lá é Inverno, mas o Natal é em Dezembro na mesma, quando lá é Verão. E não vale a pena embrulhar mais).


Brevemente na Sala de Operações do Pássaro de Ferro, a verdadeira reportagem da passagem pela Base Aérea de Natal.


PS: O Pássaro de Ferro agradece a todos os que na Força Aérea Brasileira tornaram possível esta e a próxima reportagem a publicar sobre a Base Aérea de Natal. Um agradecimento especial também para o Paulo Oliveira.



Sexta-feira, Setembro 04, 2009

O NIMROD

Nimrod MRA4 - Crédito da foto

O Hawker Siddley Nimrod é mais um dos meus ícones favoritos no domínio da aviação militar.
Desde sempre que, sobre ele, nutri um interesse mais ou menos irracional, sustentado, sobretudo, na sua aparência algo bizarra.
Comecei por perceber que ele era um sucedâneo do velhinho e pioneiro "Havilland Comet", adaptado à luta anti-submarina e patrulha marítima geral.
Este avião, para não variar, assume, em termos estéticos, a linha de muitos aparelhos da sua geração, alguns deles já aqui abordados, nomeadamente o Handley Page Victor. Não se pode dizer, efectivamente, que seja um avião apelativo à estética.
Aliás, os Britânicos, vistas bem as coisas, darão primazia ao conteúdo em detrimento da aparência, análise feita à luz das evidências, com pontuais e famosas excepções, reflectidas, entre outros no Spitfire.
Mas, estéticas à parte, abordemos então um pouco as potencialidades destes aparelhos.
O Nimrod fez o seu primeiro voo em 1967 e entrou ao serviço efectivo em 1969.

Nimrod AEW - Crédito da foto

Foram construídos cerca de 50 aparelhos, que percorreram várias versões, como o MR1, R1, MR2, AEW3, MRA4, desde o reconhecimento marítimo, reconhecimento e Alerta Antecipado (AEW) - Airborne Early Warning - (papel entretanto assumido pelos E-3 Sentry da RAF).
Presentemente, a RAF opera apenas as versões R1 e MR2.

Nimrod MR2 - Crédito da foto

Estes aparelhos transportam na sua panóplia o AGM-84 Harpoon, míssil típico da luta anti-submarina, para além de sonares, sono-bóias e o AIM-9 Sidewinder para auto defesa.
Alguns tiveram, em tempos, capacidade para transportar armas nucleares, situação que baralhava um pouco a sua natureza, dado assumir, nessa altura,uma missão de "quase bombardeiro".
Estão equipados com 4 motores Turbofan Rolls-Royce Spey, voam a velocidades que variam entre os 750 km/h - velocidade de cruzeiro, e os925 km/h de velocidade máxima, operando num tecto de serviço máximo a rondar os 13 mil metros (42 a 44 mil pés).

Nimrod R1 - Crédito da foto

Em conclusão, o Nimrod é um avião que resiste ainda ao tempo e segue na sua missão ombreando com aparelhos de mais recente geração, provando assim a sua utilidade e eficiência para a execução da sua missão.

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